Querenças

Estou aqui meio à espera de ti, meio a medo, meio querendo fugir, meio querendo outra coisa, meio a medo de cair, outra vez, de voltar a sentir a desilusão a galope, a pique, na trovoada das vozes surdas.

Olho-te, quase como dantes, e a minha mão, teimosa, procura o teu corpo, como um hábito que acarinho, ainda. Por vezes, quase que me deixo vencer, mas depois fico quieta, expectante do que virá, presa nos teus movimentos, que nunca descrevem vontades de mim.

Sonho que és outro, que te deixas possuír por uma querença que nunca revelas, que te deixas dominar pelo ímpeto, que atinges a maioridade da liberdade, que te esqueces de tudo, que te esqueces de ti.

Não te querendo a ti, é só a ti que quero, e não querendo nenhum outro, não te quero assim.

De nada me valem as pressas, inimigas das boas resoluções. Por isso adio as minhas e convenço-me que tenho de esperar.

Da minha espera nasce a urgência de qualquer coisa e eu, tenho a certeza, clara e crua, de que não posso ter tudo. Ou me tenho a mim, ou a ti.

E eu, que nos queria aos dois, amuo, desolada e completamente sem rumo.

~ por Gaivota em Julho 14, 2009.