Tal mãe, tal filho

•Fevereiro 8, 2010 • Comentários Desligados

Deitados, quase a dormir. Eu mexo-me umas quantas vezes à procura da posição mais confortável até que oiço uma vozinha de chucha: Está sossegada, mamã!

(tal e qual o que lhe digo vezes sem conta quando é ele que não pára quieto na cama)

Amor, amor

•Fevereiro 8, 2010 • Comentários Desligados

Os dois deitados nos nossos miminhos e eu pergunto-lhe, quem é o amor da mamã. Resposta pronta: sou eu! Depois disso diz qualquer coisa, por entre a chucha, que não percebo bem, qualquer coisa amor. O que disseste? Tira a chucha.

Ele tira e repete: Tu és o meu amor. A mamã é o meu amor.

Domingo II

•Fevereiro 7, 2010 • Comentários Desligados

Hoje queria ter passado o dia a dormir. Passei apenas a manhã, já não foi mau de todo. Queria não ter chorado em soluços contidos, dobrada sobre mim mesma, tentando não acordar o filho.

Hoje foi dia de dar conta de meio frasco de doce de abóbora e de cozinhar bacalhau com natas, que me cheira (literalmente), que vai ficar delicioso.

Queria ter passado o dia a dormir contigo. E acordar-te apenas na hora de comermos o dito bacalhau.

Queria não ter este peso na cabeça, esta sensação de me mover debaixo de água, esta lassidão nas palavras, nos pensamentos, nos sentimentos.

Não esquecer que tenho ali a pessoazinha mais tudo da minha vida. E por ela, irei deitar-me aninhada no sofá a ver bonecos e à espera que o jantar fique pronto.

Domingo

•Fevereiro 7, 2010 • Comentários Desligados

Acolho a dor. Como sempre. Silêncio e olhos fechados. Soterrada num peso que me esmaga. E a gargalhada da minha criança que me amacia o peito.

E o aroma de amêndoas torradas, solto, por todo o lado. Impregnado em mim. Cá dentro.

O desfralde

•Fevereiro 7, 2010 • Comentários Desligados

Aconteceu em poucos dias. Em 3 deixou de haver deslizes e agora até já pede para ir fazer. De manhã a fralda está seca.

Foi feito ao ritmo dele, sem esperarmos pelo Verão, como toda a gente aconselha, mas antes numa tentativa de escutar os sinais dele.

Meu rico menino, está a ficar um homem.

Momento

•Fevereiro 6, 2010 • Comentários Desligados

Aura castanha, dourada de sol. Ponta da tarde banhada por ti, por nós. Correste e abraçaste-me. E o mundo parou, apenas, apenas por um momento, que se multiplicou infinitamente, dançando nas ondas da memória.

Podia ficar aqui tanto tempo. Podia render-me e desaguar. Mergulho e venho à superfície. Água quente, chocolate e amor.

Coisas de gajas

•Fevereiro 6, 2010 • Comentários Desligados

Sabonete gamila – impressionante.

Calças Salsa wonder – uma maravilha.

Saltos, botas com saltos – até parece que ganhamos poder e que andamos de outra maneira.

Ir pintadinha de vez em quando para o trabalho e até pôr base ou só pó compacto ou usar só rímel e um bocadinho de brilho nos lábios – uma diferença dos diabos.

(abençoados trinta anos que me fizeram perder os pruridos em abraçar estes coisitas mais femininas sem qualquer tipo de pudor)

Ao trabalho

•Fevereiro 6, 2010 • Comentários Desligados

Desde que mudei de funções, de há uns meses para cá, que me tenho fartado de trabalhar. O volume de trabalho é tanto e estava tudo de tal forma desorganizado, que tentei apenas, inicialmente, não me perder num mar de coisas novas, tarefas novas e situações novas que me puseram à prova medos antigos. Ultrapassadas as novidades, foi chegado o tempo das burocracias, do dar conta do recado, do ter tudo pronto a tempo e horas.

Agora, sinto-me finalmente a perceber o todo e o particular de uma forma muito mais profunda. Começo a querer conseguir organizar a tralha e a caminhar para uma situação, muito ambicionada, de ter tudo organizadinho e optimizado, eficiente. E de poder dedicar mais do meu tempo às pessoas. Porque é isso que eu gosto e é isso que é suposto nas minhas funções.

Em paralelo, não deixa nunca de me surpreender, quando me apercebo de algumas pessoas que me rodeiam no trabalho que se preocupam tanto com competiçõezinhas, com a graxa ao chefe, com a validação e o reconhecimento exterior das suas competências.

É que deste lado de cá, do lado daqueles que não se preocupam minimamente com essas questões, trabalha-se muito melhor, respira-se muito melhor.

E continuo a gostar muito do que faço e enquanto isso durar, suporta-se a parte burocrática apêndice, na boa.

Teatrinho

•Fevereiro 6, 2010 • Comentários Desligados

Um domingo destes fomos ao teatro. Teatro para os miúdos com uma história daquelas já velhinhas, mas muito divertida. O meu ficou em cerimoniosa atenção. Calado, atento, circunspecto, que nem palmas bateu. No final desinibiu-se e andou a espadachar de balão com os outros gaiatos.

Em casa repetiu-me a ladainha da peça. Sinal de que gostou. Eu gostei muito, fartei-me de rir. O teatrinho era encantador e os actores deliciosos.

Confiar

•Fevereiro 2, 2010 • Comentários Desligados

Confiar às vezes é difícil. Custa embarcar assim sem medos e de olhos fechados. Custa querer adivinhar o outro e mergulhar na imensidão do que se espera que seja, mas sem certeza, sem rede.

Quando gosto muito, muito e confio e espero não me enganar. Sei dizer daquele, daquela que sim, que são confiáveis, porque há pessoas transparentinhas como água fresca, de rostos limpos, de olhos puros.

Mas quando gosto muito, muito, muito e a consideração é grande, vem às vezes aquela dúvida negra e a dor que se desenha, matreira, cá dentro.

Há pessoas que se me desiludissem, me fugia tudo. Perdia-me a mim e ficava suspensa no ar, apenas por breves instantes, para depois cair, cair, sempre, sempre até ao fundo de tudo.

E quando essas pessoas que em mim também confiam, porque gostam e porque querem confiar, se perdem nas mesmas dúvidas?

Todos nós somos muita coisa. Temos lados e partes insuspeitas. Mas vamos tendo sempre uma cadência, uma continuação de luz ou sombra, uma energia ou apatia que nos comanda. Uma raiva, uma dor ou um amor, ou uma alegria.

Meu amor, quando nos desavimos, quando não nos vemos, quando nos prendemos em coisas que não são o que pensávamos, quando a força do que sentimos nos afasta a clareza do pensamento, urge fechar os olhos com força e confiar.

Confiar nesta imensidão que sentimos um pelo outro, confiar na pureza dos nossos corações. Confiar no nosso abraço, na dor certa da ausência, confiar no que somos e no que nos transformamos quando estamos juntos.

Em silêncio, no nosso abraço, quando nos respiramos, confiar. Porque somos feitos da mesma luz, do mesmo querer.